terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Para que serve uma Estratégia para a floresta sem os florestais?

A revisão da Estratégia Nacional para as Florestas vem revelar vários anacronismos.

Num país em que mais de 90% das superfícies florestais são detidas por entidades familiares e comunidades, não será contraproducente elaborar uma estratégia para as florestas ignorando as legítimas expectativas dos proprietários e gestores destes espaços?

Será consequente esperar que a produção de bens e a prestação de serviços tenham por base o financiamento público, a intervenção dos contribuintes, sem um esforço prévio de correção dos desequilíbrios nos mercados?

Será suficiente o estabelecimento de metas para o associativismo florestal como garantia de mobilização dos proprietários florestais? Estão as organizações de proprietários florestais adequadamente dependentes financeiramente dos seus associados para uma eficiente defesa dos seus legítimos interesses? Ou são essencialmente financiadas pelo Estado, estando sujeitas à pressão política, quase sempre não condizente com a defesa de tais interesses?

Será a pressão nos deveres atribuídos pelo Estado aos proprietários privados, consequente para uma adequada gestão dos espaços florestais em Portugal? Se sim, estão como se justifica o crescente abandono dessa gestão?

A estratégia efetiva dos últimos governos tem passado pela proteção ao crescimento da oferta de risco à indústria papeleira, como forma de assegurar a perpetuidade de preços baixos à porta das fábricas

Será consistente uma Estratégia que atribui destaque principal aos riscos do investimento florestal, à gestão florestal, sem assegurar mecanismos que garantam a obtenção de receitas para a sustentação da gestão e, consequentemente, a mitigação dos riscos?

Será exequível uma Estratégia que não assegure meios eficientes e eficazes de acompanhamento técnico e comercial á propriedade privada e comunitária, fazendo ainda a ligação à investigação?

Será que, na definição da Estratégia, não só se leu, mas também interpretou os dados estatísticos sobre as florestas e as atividades que nelas têm a sua base de produção? Será que souberam interpretar os sinais? Terá sido tal interpretação independente, ou condicionada por interesses a jusante das florestas?

Estão-nos a enganar, ou estaremo-nos a enganar?


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